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[Tumulos de El-Rei D. Carlos e do Principe D. Luiz Filippe]

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[Tumulos de El-Rei D. Carlos e do Principe D. Luiz Filippe]
ML.FOT.3749.36

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«Isto termina fatalmente por um crime ou por uma revolução»

Júlio Vilhena, O Popular, 20 de outubro de 1907

 

 

D. Carlos (r. 1889-1908) e o príncipe herdeiro Luís Filipe (1887-1908) morreram assassinados na Rua do Arsenal, em Lisboa, no dia 1 de fevereiro de 1908, pouco depois das 17h. No dia seguinte, o relatório ao exame do cadáver do rei indicava que a morte havia sido provocada por dois projéteis, ambos pelas costas. O príncipe Luís Filipe foi também atingido por duas balas, tendo uma delas perfurado o crânio.

 

O contexto histórico explica em grande parte este assassinato. A partir de maio de 1907, dissolvida a Câmara dos Deputados, João Franco (1851-1929), presidente do Conselho de Ministros, passou a governar em ditadura. Contando com uma crescente oposição republicana nas ruas, na universidade (em greve desde março) e no parlamento, mas também com o afastamento de alguns setores monárquicos regeneradores e progressistas, . Carlos passou de monarca constitucional a soberano diretamente implicado na condução política do reino. A animosidade para com a Casa Real foi ainda reforçada pela questão dos adiantamentos para uso da família reinante, quantias exorbitantes num país com ordenados muito baixos e elevado custo de vida.

 

Com eleições marcadas para 5 de abril de 1908, os revolucionários posicionaram-se para alcançar uma solução antes do ato eleitoral, temendo a vitória de João Franco. A 28 de janeiro, um primeiro movimento, constituído por republicanos e dissidentes progressistas fracassa junto ao Elevador da Biblioteca (com acesso pela Praça do Município). Três dias depois, o monarca, então ainda em Vila Viçosa, assinou o decreto que ordenava a deportação dos revoltosos para colónias africanas. No dia 1 de fevereiro, regressando a família real do Alentejo a Lisboa, abriu-se a oportunidade de eliminar o monarca.

 

O regicídio foi executado por Manuel Buíça (1876-1908) e Alfredo Costa (1883-1908), dois militantes republicanos que foram de seguida abatidos pela polícia. Um terceiro homem foi morto naquela ocasião, João Sabino da Costa (1887-1908), oficial de ourives, posteriormente considerado inocente. Seguiu-se um breve período de “acalmação”. D. Manuel II foi aclamado e formou governo com os setores monárquicos contestatários de João Franco, que se viu obrigado a sair do país.

 

Os corpos do rei e do infante foram embalsamados a 2 de fevereiro e o funeral realizou-se no dia 8 desse mês. O cortejo fúnebre saiu do Palácio das Necessidades rumo ao Mosteiro de São Vicente de Fora, panteão dos Bragança, passando pela Rua do Arsenal, cenário do regicídio.

 

Esta fotografia, uma prova fotográfica, cujo autor e data são desconhecidos, foi integrada num álbum intitulado Photographias de Lisboa, organizado por Augusto Vieira da Silva (1869-1951) em 1930. Sintomaticamente, ilustra os túmulos antes de 1933, uma vez que, a 1 de fevereiro desse ano, os monumentos funerários de D. Carlos e do príncipe Luís Filipe foram substituídos pelo túmulo duplo que hoje se conserva, da autoria do arquiteto Raul Lino (1879-1974) e acompanhado pela estátua Dor, de Francisco Franco (1885-1955).

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in web. Acesso online à Coleção. Sistemas do Futuro