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[Ara]
MC.ARQ.0064

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Fragmento de uma ara votiva romana encontrada na década de 1940, durante as obras de restauro do Castelo de São Jorge. O estado muito incompleto que apresenta, explica-se pelo facto de ter sido reutilizada como material de construção de muralha. Apesar de muito fragmentada, tudo leva a crer que se trate de parte de uma ara de dimensões reduzidas, ou seja, um pequeno altar erigido em honra de uma divindade. 

 

Neste fragmento vemos ainda a parte superior da ara onde se observa parte da cornija e do capitel. No capitel da ara ve-se ainda uma pequena parte de um dos toros laterais com uma ligeira saliência. A parte intermédia da ara é composta pelo campo epigráfico composto por um texto em honra do deus Mercúrio (deus dos mensageiros). Ausência da parte inferior e base da ara.

 

Este tipo de monumentos cumpria dois fins: o de receber um texto que se gravava no seu fuste e o de servir de mesa de apoio a vários tipos de rituais religiosos que incluíam as libações e as fumigações, tão caras aos romanos. 

 

O texto, patente no que resta do fuste, está muito incompleto: MERCVRIO/ [C]OHORTALI/ SACR(um) […]/ […], ou seja, "Consagrado a Mercúrio das Coortes". Ainda são visíveis as partes superiores de uma quarta linha de letras, mas os traços não são suficientes para uma reconstituição do texto. Tratava-se provavelmente do nome do dedicante, como é norma nos textos votivos romanos, que recordaria com o monumento, o cumprimento de uma promessa, talvez em favor de alguém ligado à vida militar, já que a coorte é uma subdivisão de uma legião romana.

 

Eis, portanto uma consagração a Mercúrio, o mensageiro dos deuses, o padroeiro dos advogados, dos ladrões, dos mercadores e dos viajantes. No território urbano de Felicitas Iulia Olisipo esta consagração a Mercúrio não é única, pois para além desta ara, foi registada notícia do aparecimento de mais duas epígrafes, utilizadas como material de construção. Dessas duas, apenas uma chegou aos nossos dias, estando actualmente embutida numa parede da Travessa do Almada. 

 

Pode ter existido um templo dedicado a Mercúrio, algures no perímetro urbano de Olisipo, cujos únicos vestígios são estes monumentos epigráficos que se encontrariam no seu interior, ou nas suas proximidades. A hipótese não é descabida, sobretudo se pensarmos na vocação comercial da cidade e na sua população, cuja onomástica denuncia origens diversas e também viagens, sobretudo entre a região de Lisboa e o Mediterrâneo Oriental.

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