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Nesta obra, uma composição de intenso cromatismo, Emmerico Nunes (1888 - 1968) apresenta uma imagem do quotidiano da cidade que, partindo da vivência citadina que tem como objeto principal a representação de um cortejo fúnebre, através da sua construção cénica de índole humorística, é transmutada, confundindo-se, num primeiro olhar, com um momento de festa.
Este espírito quase satírico é denunciado através de inúmeros pormenores. A escolha e respetiva representação caricatural das personagens intervenientes que indo desde os cangalheiros até ao janota, passa por diferentes tipos populares no exercício dos seus ofícios, associada à ironia imposta pelo nome dos estabelecimentos comerciais e pela seleção dos cartazes existentes nas fachadas dos edifícios, oferece-nos, sob o ponto de vista crítico do autor, um retrato da Lisboa pitoresca.
Emmerico Nunes inclui-se no grupo de artistas que, seguindo a linha de rutura que defendeu uma nova conceção plástica, impôs o arranque do modernismo novecentista, estando associado, na fase inicial da sua obra pictórica, a nomes como Eduardo Viana, Francis Smith e Domingos Rebelo. Foi, no entanto, através da ilustração e da caricatura que se notabilizou no campo das artes plásticas, sendo considerado como um dos caricaturistas de maior renome no panorama a artístico nacional.